METADE CARA METADE MASCARA: Um Livro de Eliane Potiguara - UOL Fotoblog
METADE CARA METADE MASCARA: Um Livro de Eliane Potiguara

Dê uma nota para esse fotoblog   |    Adicionar aos meus favoritos

[ Ver todas as fotos ]
  
[ Enviar esta foto por e-mail ]
Anterior | Próxima

LANCAMENTO DE MEU LIVRO

O BRASIL TEM SIM, 800 MIL INDIGENAS! O Brasil tem uma dívida muito grande para com os povos indígenas. Lamentavelmente entra governo e sai governo e ninguém FAZ ABSOLUTAMENTE NADA, para garantir os direitos imemoriais e históricos para que povos indígenas possam viver com dignidade e ter as suas terras, culturas e cosmovisões garantidas. Nenhum governo, nem de direita, nem de esquerda conseguiu solucionar essa situação até hoje, porque esses governos não DEFINEM SUA POSIÇÃO entre povos indígenas e empresariado; povos indígenas e latifundiários; povos indígenas e a questão da reforma agrária; povos indígenas e a política nacional.É uma vergonha para o Brasil! As prioridades são sempre para os políticos narcisistas, que também fazem parte do empresariado brasileiro, a maioria deles_ cleptomaníacos_ que roubam com prazer e sobrevivem da dignidade indígena.É por essa razão que povos indígenas ficam no último lugar de uma fila histórica. Para o governo era melhor que os povos indígenas fossem acabando paulatinamente nas próprias comunidades, por isso é muito fácil dizer que, os Guaranys, por exemplo, “querem viver do jeito que vivem”, como no caso de Paratymirim/RJ. Mas “esse jeito de viver”, para o observador preconceituoso, tem uma conotação racista intrínseca de que os guaranys querem viver na sujeira, no alcoolismo e que não querem nada com o trabalho. O governo esquece que, BEM OU MAL, ALGUNS filhos e netos das comunidades vão às escolas, às universidades e começam a observar onde suas famílias foram metidas e qual será o destino delas. Por isso, a antropologia governamental, atualmente apresenta conotações altamente destoantes, romantizadas, vivendo ainda daqueles tempos de Gonçalves Dias, onde povos indígenas precisam desesperadamente ficar pendurados em quadros nos museus e nas teses científicas, para servir de modelos. Aquele que não estiver enquadrado nesta rígida e preconceituosa categoria é taxativamente considerado um oportunista. Essa é a palavra, para ser mais direta.Por isso, viu-se muitos indígenas desesperados nas grandes cidades, como o caso de um Tukano que queria se suicidar há uns 20 anos atrás e nem a faca, ele conseguia remeter-lhe ao corpo, de tal desespero e incompreensão. Conto isso na cartilha que escrevi “A TERRA É MÃE DO ÍNDIO”, há quase vinte anos atrás. Temos milhares de casos. Nos outros países, vemos que povos indígenas podem desenvolver-se dentro daquilo que querem, sem deixar de ser indígenas, como no Canadá, por exemplo, onde um projeto de pesca foi apoiado pelo governo aos indígenas que estavam sofrendo as conseqüências da urbanização, da neo-colonização ou perdas culturais como alcoolismo, violência às esposas, drogas, problemas psicológicos, suicídios, homicídios, desinteresses e violências interpessoais.Venho falando sobre essa experiência canadense há anos, mas não encontramos eco!”As Primeiras Nações do Canadá”, uma organização indígena, poderia assessorar-nos neste novo porvir, através de SUAS EXPERIÊNCIAS e seus cursos de capacitação, adaptados para o modelo brasileiro, com gestão indígena, por favor...Não quero dizer que a experiência canadense é milagrosa, mais é um começo.Há outras experiências de desenvolvimento indígena como a do povo Kuna, do Panamá, como a dos Navajos dos USA. No Grupo de Trabalho sobre Povos Indígenas da ONU existem centenas de casos registrados em discursos, pelas lideranças indígenas internacionais. Falo de muitos aspectos sobre essas experiências em meu livro, mas a sociedade prefere ler “BEST SELLER” IDIOTAS a ler as nossas palavras, porque estamos em casa, em território brasileiro e não temos valor... Por acaso esse governo se interessou em adquirir uma cota de nossa literatura para doar às escolas indígenas? Se adquiriu, foi de uma minoria ou de outros setores distanciados da realidade indígena. Por outro lado, também muitos leitores de literatura indígena ou indigenista só se interessam por aspectos míticos, bases para uma futura tese que vai fortalecer uma antropologia irreal. A antropologia real precisa ser social, baseada na realidade social e política do povo indígena interligado com as conseqüências do social e da política do país.Essa antropologia deve respeitar os níveis de consciência e formação dos indígenas aldeados, desaldeados, urbanos, descendentes e retirar a capa do preconceito, como vemos alguns políticos que olham para nossos líderes e dizem que não são mais indígenas. Porque, hoje, povos indígenas vivem essa interação maléfica, mas certeira. Hoje o IBGE diz que a população indígena soma 800 MIL. Naturalmente, os que questionam os critérios do IBGE, não tiveram suas avós ou suas famílias empurradas para a marginalidade das cidades, grandes vitimas do próprio órgão paternalista, que não os protegeu e acolheu quando suas terras estavam sendo invadidas por latifundiários do passado e do presente.Onde estavam o SPI e a Funai, EM TEMPOS DIFERENTES, pergunto! Está faltando memória histórica na mente das elites governantes e do empresariado. No entanto, quem sofre não esquece...E por isso que estamos aqui...Podem arrancar os nossos dentes, calar a nossa voz, usar a tática antiga da divisão de lideranças, dizer que não somos indígenas. Esse discurso está superado. Essa desculpa não cola mais. Só acredita quem não tem memória e olhos para enxergar.O BRASIL TEM SIM, 800 MIL INDIGENAS. O poder, qualquer ele que seja, tem que nos engolir. Vamos todos e todas para as universidades e deixar de ser peças e objetos folclóricos de Museus e objeto de mentira para servir facções, elites, interesses. Os nossos filhos mortos, nascidos, e renascidos estão lembrando da tinta de jenipapo cravada em nossa cara, porque a nossa casa é ancestral.

01/03/2006 Publicada por ELIANE POTIGUARA

  
12/11/2006 16:59
olivio jekupé

fiquei alegre em ver essa foto, pois estou nela.

oliviojekupe@yahoo.com.br


Comente esta foto
Nome *  
E-mail *  
Site/Blog   
Comentário
Caracteres restantes : 1000    
  

  

[ Ver todos favoritos ]
  

BRASIL, RIO DE JANEIRO, RIO DE JANEIRO, VILA ISABEL, Mulher, de 46 a 55 anos, Portuguese, Spanish, Arte e cultura, Informática e Internet, Livros










O que é isto?