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Indigenas na casa de leitura no RJ
A TÃO ALMEJADA DIGNIDADE
Eliane Potiguara, 20 de março de 2003
Há muito tempo, os povos indígenas esperam atingir um grau de dignidade, respeito e direitos. Povos indígenas devem gerenciar suas lutas, reivindicações e conquistas. Povos indígenas são etnias, diversas etnias neste país. Uma, duas ou três organizações indígenas e indigenistas – mesmo legítimas batalhadoras, confiáveis – não podem representar a totalidade dos povos indígenas do Brasil, pois constituiria-se, assim, um processo de unilateralidade, o que não é.
A luta é para conquistar direitos e não para substituir órgão paternalista, impregnado de ranços e vícios dos governos anteriores. Não esqueçamos que paternalismo ainda é uma forma de racismo, preconceito social, racial, xenófobo e isso foi debatido na última Conferência Internacional da ONU contra o Racismo, em Durban, África do Sul. Não adianta substituir cadeiras velhas por remendadas. Mas sim construir assentos seguros e que agüentem o peso da história e do futuro.
Estamos vivendo tempos diferentes, onde realmente muitas ONGs indigenistas apoiaram a construção do movimento indígena. Isso deve ser sempre verdadeiramente reconhecido. Mas o movimento indígena, por melhor que sejam as intenções das vertentes indigenistas, ainda não é um movimento único e nacional. Ainda há centenas de organizações, associações, grupos isolados, indivíduos, enfim pensamentos indígenas nesse Brasil afora que não puderam ou não querem fazer parte de uma vertente, seja ela qual for, da Igreja, da Universidade, das ONGs, do Governo, e até de Organizações indígenas de peso, etc.
O mais importante é compreender que um dia as vertentes devem deixar livre o caminho para os povos indígenas assumirem seu destino nas suas próprias mãos e caminhar com seus próprios pés. Essa atitude das vertentes deve ser de Vontade Política. E isso precisa ficar sempre claro. Isso, na minha opinião, não está claro.
Por toda a minha vida eu observo com olhos de águia e com olhos reflexivos e críticos dos ancestrais indígenas vilipendiados neste país a sutileza subliminar da necessidade do "poder" que as vertentes implementam, mesmo com as mais boas intenções. Não se deve ensinar isso aos povos indígenas, pois eles podem aprender essa tática e perder a ética indígena e as tradições de se ouvir em primeiro lugar os velhos(as) e as lideranças antigas que passaram indefesas pelas arbitrariedades históricas, sociais e políticas.
Povos indígenas!: Construam organizações, mesmo que sejam dentro de suas casas, e assumam as rédeas dessa frente, pois com certeza haverá muito trabalho, empregos, projetos, finanças, cargos, postos, teses, idéias a serem gerenciadas pelos próprios povos indígenas. E os próprios povos indígenas serão os beneficiados, com os resultados dessa implementação como o desenvolvimento, os recursos financeiros, os resultados jurídicos que beneficiem suas vidas lhes trazendo a tão almejada Dignidade.
Texto de Eliane Potiguara
www.elianepotiguara.org.br
01/03/2006 Publicada por ELIANE POTIGUARA
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